quarta-feira, 4 de março de 2015

Conto em versos


Durante o estágio do 5º período,
Na cidade onde morro,
Conceição de Macabu,
Escola Estadual Maria Lobo Viana,
Turma de 6º ano,
Com 32 alunos,
Muito grande, falante e alvoroçada,
O professor quase não conseguia,
Falar e nem dar o conteúdo,
 Presenciei um fato,
Que não é muito comum,
Um garoto entrou no Facebook da colega,
Garota bonita e atraente,
Imprimiu algumas fotos,
Em traje íntimo,
E começou a mostrar para os colegas,
Como sempre tem alguém para contar,
A garota ficou sabendo,
Foi aquela confusão,
O professor levou o caso para secretaria,
Menino advertido,
Entrando só com os responsáveis,
Os outros envolvidos,
Um belo sermão.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Meu conto

O que é ser professor? Esta é a frequente dúvida dos licenciandos. Mediador do conhecimento? Condição de trabalho? Valorização da profissão? Relação docente x discente... Muitos receios !!!!...Desafios!!!!
A escolha da escola para cumprir o componente curricular previsto no Curso, apresenta-se como um desafio diante às tantas incógnitas no campo educacional. Feita a escolha, vamos nós para o primeiro dia de mais uma das etapas práticas do estágio.
Logo na entrada, vejo a modernidade, seja pelo uso de cores, estrutura física (salas de aula, espaços de interação alunos e professores, etc.), mas ao entrar, vejo a presença do igual e do tradicional, que apesar dos recursos tecnológicos disponíveis para o professor, nota-se a mesma prática de ensino, aulas no formato de palestras, alunos ouvintes, pouca participação.
O dado diferente do tradicional para modernidade é marcado pelo uso, por parte dos alunos, de celulares e tablets. O espaço de aprendizagem notado são salas “lacradas”, ou seja, portas e janelas fechadas, ar condicionado (que frio!!). Tendo como descrição, o foco em manter a atenção do aluno a “palestra” dos diferentes professores. O foco aprendizagem é voltado para o resultado positivo em provas do ENEM e de vestibulares. O foco é preparar o aluno para o sucesso. O foco é ter alunos que possibilitem resultados positivos, tanto que o aluno reprovado não permanece na escola. Busca-se, a todo momento, a excelência.
Nota-se a substituição de livros didáticos por apostilas planejadas e construídas por um sistema de ensino privado. A escola é conteudista (prepara o estudante para processos seletivos diversos). Professores sem autonomia.
Acessibilidade? O que é isso? Uma escola moderna com uma estrutura física conservadora, muitas escadas. Fiquei pensando no aluno, no professor, no estagiário “diferente”, como fariam. Não vi, durante o meu percurso, a preocupação com diversidade, com a educação e direitos humanos.
Mesmo com limites, o professor “Michael” buscava ser criativo, provocando os alunos, buscando interação. Utilizando de exemplos atuais para ministrar o conteúdo estabelecido nas apostilas. Independente das atividades já estabelecidas na apostila, aplicava outros.
E a coordenação pedagógica geral? Um momento marcante foi quando ao ser perguntada sobre a existência de uma avaliação institucional, a coordenadora gaguejou, engasgou, tossiu, ( o momento me preocupou em pensar que não sabia socorrê-la  rs...)..., silêncio presente e a busca de uma resposta que não demonstrasse uma incoerência ou inconsistência. Uma preocupação com uma exposição negativa da escola para alguém (eu estagiária) que estava de passagem. Percebendo, confesso, tive vontade de rir, mas me contive, até porque me coloquei no lugar dela. Foi quando obtive a resposta que, particularmente, já esperava: “Avaliação institucional? Existe sim, ela é feita a partir dos resultados dos alunos nas provas, nos simulados, no ranking nacional”.

Retomo a minha pergunta, o que é ser professor? Qual o papel da Escola? O que ensinar? E o aprendizado? O conhecimento, de que forma se dá? 

“O salário oh!”



Sentado no ponto de ônibus olhando o relógio pela quinta vez. Tendo passado quarenta
 minutos e o  transporte não vinha. A tensão de chegar atrasado no primeiro dia de estágio começava a tomar meu corpo e como primeira consequência começava a lamentar o fato de ter escolhido uma escola tão distante de minha casa. De repente o ônibus surge, retomo o ânimo e a empolgação de conhecer uma escola da zona rural ressurge.
            Chegando à escola sou apresentado à diretora, ao professor com quem estagiarei e me conduzem por uma rápida visita à escola e em seguida sou conduzido à sala de aula. Sou apresentado aos alunos e o professor começa a lecionar. Observo-o com atenção, me imaginando em seu lugar, refletindo sobre o que eu faria de diferente. Em determinado momento os alunos iniciam uma algazarra e o professor pede silêncio: "-Moçada vamos lá! Eu ganho para dar aula e não para aguentar a bagunça de vocês. Aliás, mesmo pra primeira, eu ganho muito pouco." Ainda refletia o quão diferente seria minha abordagem quando sou surpreendido por um aluno: "- Que isso fessor, ocê ganha bem pra caramba, eu trabalho um monte e ganho nem metade do que tu ganha."

            Tomado pelo furor pedagógico realizo minha intervenção, afinal sempre soube que a profissão que eu havia escolhido seria mal remunerada, mas pensava que isso seria de conhecimento de todos, mas principalmente que de meus alunos: Inicio buscando uma abordagem lúdica: "-Vocês viam a Escolinha do professor Raimundo?"
            A classe responde em coro: "- Nãaaaao"
            Concluindo o quanto estou ficando velho, busco uma nova abordagem: " - Vocês sabem quanto ganha um professor na Coréia do Sul?"
            Mostrando-se resistente meu debatedor dispara: "- Fessor ocê sabe quanto ganha um lavador de ônibus na Coréia?"

            " - Um lavador de ônibus na Coréia, ganha bem mais do que no Brasil e possivelmente trabalha menos, pois a lavagem lá é mecanizada, o lavador só opera o equipamento. O motivo dele ganhar mais que seu colega de ofício brasileiro é o fato de ele ter tido uma educação melhor e esta diferença educacional se dá entre outros motivos pelo fato dos professores na Coreanos ganharem uma remuneração muito melhor do que no Brasil. Todos nós merecemos ganhar mais, mas para isso é preciso termos uma educação de qualidade e esta qualidade exige uma remuneração mais digna aos professores." A turma fez um "uhhh"e o aluno sentou resmungando um "- Tendi." Após o debate a aula foi encerrada. Enquanto esperava mais uns quarenta minutos pelo ônibus de volta, ficava imaginando minha próxima intervenção em sala de aula e desfrutando do prazer indescritível que é ser professor.