sábado, 28 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Meu conto
O que é ser professor? Esta é a frequente dúvida dos
licenciandos. Mediador do conhecimento? Condição de trabalho? Valorização da profissão?
Relação docente x discente... Muitos receios !!!!...Desafios!!!!
A escolha da escola para cumprir o componente curricular
previsto no Curso, apresenta-se como um desafio diante às tantas incógnitas no
campo educacional. Feita a escolha, vamos nós para o primeiro dia de mais uma
das etapas práticas do estágio.
Logo na entrada, vejo a modernidade, seja pelo uso de cores,
estrutura física (salas de aula, espaços de interação alunos e professores,
etc.), mas ao entrar, vejo a presença do igual e do tradicional, que apesar dos
recursos tecnológicos disponíveis para o professor, nota-se a mesma prática de
ensino, aulas no formato de palestras, alunos ouvintes, pouca participação.
O dado diferente do tradicional para modernidade é marcado
pelo uso, por parte dos alunos, de celulares e tablets. O espaço de
aprendizagem notado são salas “lacradas”, ou seja, portas e janelas fechadas,
ar condicionado (que frio!!). Tendo como descrição, o foco em manter a atenção
do aluno a “palestra” dos diferentes professores. O foco aprendizagem é voltado
para o resultado positivo em provas do ENEM e de vestibulares. O foco é
preparar o aluno para o sucesso. O foco é ter alunos que possibilitem
resultados positivos, tanto que o aluno reprovado não permanece na escola. Busca-se,
a todo momento, a excelência.
Nota-se a substituição de livros didáticos por apostilas
planejadas e construídas por um sistema de ensino privado. A escola é conteudista
(prepara o estudante para processos seletivos diversos). Professores sem autonomia.
Acessibilidade? O que é isso? Uma escola moderna com uma
estrutura física conservadora, muitas escadas. Fiquei pensando no aluno, no
professor, no estagiário “diferente”, como fariam. Não vi, durante o meu
percurso, a preocupação com diversidade, com a educação e direitos humanos.
Mesmo com limites, o professor “Michael” buscava ser
criativo, provocando os alunos, buscando interação. Utilizando de exemplos
atuais para ministrar o conteúdo estabelecido nas apostilas. Independente das
atividades já estabelecidas na apostila, aplicava outros.
Retomo a minha pergunta, o que é ser professor? Qual o papel
da Escola? O que ensinar? E o aprendizado? O conhecimento, de que forma se dá?
“O salário oh!”
Sentado no ponto de ônibus olhando
o relógio pela quinta vez. Tendo passado quarenta
minutos e o
transporte não vinha. A tensão de chegar atrasado no primeiro dia de
estágio começava a tomar meu corpo e como primeira consequência começava a
lamentar o fato de ter escolhido uma escola tão distante de minha casa. De
repente o ônibus surge, retomo o ânimo e a empolgação de conhecer uma escola da
zona rural ressurge.
Chegando
à escola sou apresentado à diretora, ao professor com quem estagiarei e me
conduzem por uma rápida visita à escola e em seguida sou conduzido à sala de
aula. Sou apresentado aos alunos e o professor começa a lecionar. Observo-o com
atenção, me imaginando em seu lugar, refletindo sobre o que eu faria de
diferente. Em determinado momento os alunos iniciam uma algazarra e o professor
pede silêncio: "-Moçada vamos lá! Eu ganho para dar aula e não para
aguentar a bagunça de vocês. Aliás, mesmo pra primeira, eu ganho muito pouco."
Ainda refletia o quão diferente seria minha abordagem quando sou surpreendido
por um aluno: "- Que isso fessor, ocê ganha bem pra caramba, eu trabalho
um monte e ganho nem metade do que tu ganha."
Tomado
pelo furor pedagógico realizo minha intervenção, afinal sempre soube que a
profissão que eu havia escolhido seria mal remunerada, mas pensava que isso
seria de conhecimento de todos, mas principalmente que de meus alunos: Inicio
buscando uma abordagem lúdica: "-Vocês viam a Escolinha do professor Raimundo?"
A
classe responde em coro: "- Nãaaaao"
Concluindo
o quanto estou ficando velho, busco uma nova abordagem: " - Vocês sabem
quanto ganha um professor na Coréia do Sul?"
Mostrando-se
resistente meu debatedor dispara: "- Fessor ocê sabe quanto ganha um lavador
de ônibus na Coréia?"
"
- Um lavador de ônibus na Coréia, ganha bem mais do que no Brasil e
possivelmente trabalha menos, pois a lavagem lá é mecanizada, o lavador só
opera o equipamento. O motivo dele ganhar mais que seu colega de ofício
brasileiro é o fato de ele ter tido uma educação melhor e esta diferença
educacional se dá entre outros motivos pelo fato dos professores na Coreanos
ganharem uma remuneração muito melhor do que no Brasil. Todos nós merecemos
ganhar mais, mas para isso é preciso termos uma educação de qualidade e esta
qualidade exige uma remuneração mais digna aos professores." A turma fez
um "uhhh"e o aluno sentou resmungando um "- Tendi." Após o
debate a aula foi encerrada. Enquanto esperava mais uns quarenta minutos pelo
ônibus de volta, ficava imaginando minha próxima intervenção em sala de aula e
desfrutando do prazer indescritível que é ser professor.
A prova de Geografia
Num dia em que poderia
ser como qualquer outro, para qualquer pessoa comum, algo inusitado aconteceu em
uma pacata escola pública da zona rural, numa cidadezinha do interior. Havia
uma adolescente chamada Maria Heloísa que ia à escola todos os dias, mas num
dia de entrega das notas de provas realizadas de geografia, algo surpreendeu:
A professora Eva chama os alunos conforme ia
pegando as provas:
- João, sua prova!
Parabéns! Continue sempre assim. Disse a professora Eva.
Os colegas de classe
ficaram apreensivos para receberem suas notas e olhavam atentamente para
professora com a voz pesada e trêmula, devido a sua avançada idade.
Maria Heloísa, sentada
no fundo da sala, exibia uma expressão confiante e contente, com seu uniforme
limpo e arrumado e com seus cachos – úmidos, negros e soltos.
Chegou a hora mais
esperada para Maria Heloísa:
Maria Heloísa levantou-se
sorridente em direção à sua professora, e esta lhe disse:
-Parabéns, querida!
Novamente, você conseguiu me surpreender. Outra nota zero!
Maria Heloísa, respondeu:
- Fazer o quê,
professora?! Eu já sabia. Num estudei mermo. Risos
Namoro na escola
No Colégio, um casal de
namorados se encontrava em uma das salas do 9° ano. Apaixonados e ligados um ao
outro, Ana Luiza e Pedro, começaram a namorar na metade do ano. A partir desse
período, na qual Ana Luiza foi mudada de turma, cursando o restante do ano na
sala do Pedro, a nota dos dois caiu bastante. Pedro, sempre sentado na frente
de sua namorada, assistia suas aulas virado para trás, debruçado na carteira do
seu “amor”. A conversa, bilhetes e trocas de mensagens pelo celular, “rolavam
soltas” todo tempo. O Pedro nem mesmo copiava do quadro as informações do conteúdo
passado pelo professor, e muitas vezes quando havia atividades valendo nota,
corria para pegar com os colegas ao lado. O mais triste de tudo, é que no final
do ano o Pedro ficou de recuperação e a Ana Luiza passou raspando segundo seu
professor de Geografia.
Mas será que o professor não
deveria ter estratégias para ajudar os mesmos a amadurecerem e dar prioridade a
educação a tempo? E ajudá-los a separar sala de aula e namoro? Ou o educador
não tem obrigação de fazer esse tipo de avaliação e trabalho em sala?
Realidades como essa são observadas em muitas salas de aula e o professor deve
estar capacitado a lidar com eles. Tendo como prioridade o desenvolvimento
cognitivo de cada aluno, percebendo suas limitações e bloqueios educacionais. E
você, o que faria nessa situação? Quais seriam suas estratégias?
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