quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O ENCANTO DE UM CONTO GEOGRÁFICO

Certa vez, em uma escolhinha que se chamava Riacho Molhado, havia uma turma de 9.° ano, que era composta por 34 aluninhos presentes.
Nessa turminha, destacavam-se por seu caráter e poder de dispersão das aulas um grupinho, que era denominado de Club do Boloinha. O Club do Bolinha, era formado por Clóvis, Eurípedes, Francisquinha, Valdo e Alessandra Janaína.
Durante as aulas ministradas pela professora Fernanda Militão, a inquietude e os zumbidos na sala era constantes, provocados pelo Club do Bolinha. A professora Fernanda Militão ao ver todo aquele barulho, chamava-os a sua atenção, no entanto, era questão de minutos para que todo aquele “zum zum zum “ voltasse a circular pela sala e a aula novamente ser interrompida.
No entanto, certa vez, quando apareceu um estagiário, cujo nome estranhamente era chamado de “Marte”, e começou a freqüentar as aulas da professora Fernanda Militão, a turma receosa começou também a observar Marte.
Alguns dias se passaram, e Fernanda Militão concedeu uma de suas aulas para que Marte já “conhecendo a turma”, pudesse lecionar a respeito de um determinado tema que até então era tachado como Chato pela turma em geral. Chegado o Dia, Marte chega na sala, e antes mesmo do boa tarde, Alessandra Janaína, Valdo e Clóvis o recepcionam logo com uma pergunta: Será você que dará aula hoje? Marte respeitosamente responde dizendo que sim, e que além disso, a aula seria na sala de vídeo.  Logo que souberam que a aula seria ministrada na sala de vídeo, Eurípedes e Francisquinha foram os primeiros a correr para a sala para marcar seus lugares no “fundão”.
Começado a aula, Marte conversou um pouco com a turma, e logo anunciou que a turma assistiria um vídeo que ajudaria no entendimento da aula. O vídeo começou e a turma se calou! Depois que terminou o vídeo, Marte levantou algumas provocações a respeito do tema, relacionando com a vivência dos alunos, e os mesmos participaram ativamente, até mesmo o Club do Bolinha. Contudo, ao término da aula, a turma sorridente, agradeceu a Marte, e disse que sua aula poderia substituir as da professora Fernanda Militão, pois segundo eles, as aulas eram chatas, monótonas e sempre se remetiam aos contextos históricos, enfatizando-os como se fosse uma aula de história.

Dias depois, a professora Fernanda Militão em conversa com Marte, contou que ficou surpresa com o comportamento da turma e que as mesmas adoraram a aula dada por Marte. Ao longo da conversa, Fernanda Militão contou para Marte que sua formação era em História, e a partir daí, Marte foi capaz de entender o porquê de a turma ter esse comportamento, pois as aulas de Geografia, na verdade estavam virando aulas de Histórias.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Eu, meu projeto e eles

Era um grande desafio, tentar fazer com que a turma inteira interagisse com a proposta que tínhamos levado, no começo, meus olhos transpareciam medo, de que algo  não desse certo, mas tinha ao meu lado grandes companheiros que me passavam muita segurança. Então, preparamos um grande projeto enchemos o peito de esperança e com muita ansiedade partimos para a prática. Organizamos a ordem de quem ia apresentar o projeto, e assim deu início com a amiga Ana apresentando nossa proposta, os alunos mostraram pouco interesse. A fim de tentar reverter a situação, argumentei, porém, pouco consegui. Então, uma próxima etapa viria, íamos recolher as fotos que tínhamos pedido no momento anterior, e realmente não estávamos com muita sorte, poucos atenderam e comprometeram o projeto. Resolvemos então dar um último prazo e reunimos o material que precisávamos. Com muita expectativa, aguardamos a última fase do projeto que seria a exposição do material recolhido.

            Até que chegou o grande dia, entramos na sala de aula. Era  um dia muito quente e a sala estava super lotada, como se configura o cenário da maiorias das escolas publicas. Assim então, começamos a montar todos os equipamentos para a apresentação. Entretanto, percebemos que os equipamentos não funcionavam,. Olhávamos um para o rosto do outro, com muito desespero e medo de que tudo fosse por água abaixo, até mesmo com a ajuda dos alunos, nada funcionava...  até que no meu auge de desespero, olhei para Drummond e disse: vamos apresentar mesmo sem apoio digital?. O desespero estava estampado nas faces de  todos ali. Segui o que tínhamos combinado com as mãos trêmulas e a voz embarcada apresentei as imagens recolhidas e assim foi se tornando o que parecia um fracasso um grande sucesso. A turma, inicialmente desinteressada, foi contagiada por aqueles que acreditaram e a troca de conhecimento cultural e científico acabou sendo enriquecedor e o que parecia ter um final trágico e fracassado se tornou um grande sucesso, conseguimos transformar um limão em uma limonada!

A recompensa do esforço

O que me chamou a atenção neste período de estágio em escola pública foi a constatação da grande quantidade de jovens que encaram os estudos como uma diversão, um entretenimento e não como uma porta de esperança para um futuro diferente de muitos de seus pais.
Como em toda regra têm exceções, existem também aqueles alunos que ultrapassaram os obstáculos dos Bullyings escolares presentes na vida estudantil.
Aos alunos que conseguem terminar o Ensino Médio e que logo dão continuidade aos estudos através do Enem ou vestibular, ou ingressam em algum curso técnico, têm mais chances de um futuro promissor do que aqueles que param de estudar.
Outra questão que me chamou atenção foi o fato de muitos alunos da área rural estarem estudando zona urbana graças à viabilidade de transportes escolares mantidos pela prefeitura local. Esses alunos não pagam o veículo escolar já que as escolas que eles já estudavam foram desativadas.


O Aluno que não estava lá

Durante o estágio do 7º período do curso de Licenciatura em Geografia, acompanhei várias turmas do 1º ao 3º ano. Notei vários alunos com dificuldade na matéria, mas um específico chamou minha atenção.
            Em uma das turmas do 1º ano. João ficava “voando” durante toda a aula.
Quando o professor o questionava ou solicitava sua participação, ele nunca sabia o assunto que estava sendo tratado. Nas poucas vezes em que o aluno participava, ele fazia perguntas muito abaixo do esperado para o nível da turma.
            Na reunião do Conselho de Classe, soube que esse aluno agia dessa maneira em todas as outras matérias, ele se desligava das aulas e não acompanhava as atividades desenvolvidas, sua participação só acontecia quando o professor solicitava. Como a turma era pequena,  contava com -  aproximadamente -  13 alunos, era fácil perceber sua falta de atenção, exigindo que o professor sempre o abordasse.

            Quase no final do estágio, eu abordei o João e perguntei o que acontecia com ele já que eu percebia que ele estava meio desligado. Ele me disse que trabalhava durante o dia e ficava muito cansado para acompanhar as aulas no período noturno.

Desventuras por um remoto controle

Em certa sexta feira pela manhã, o ponteiro do relógio marcava ainda antes das 10h, o local era a escola uma escola pública da rede estadual, o dia se apresentava com certa familiaridade, entretanto algo diferente aconteceria. E ela, uma invenção de 1954, conhecida como televisão, estaria envolvida no ocorrido.
As estagiárias chegaram todas animadas para apresentarem fotos de sua cidade, então era necessária a utilização da televisão da sala de aula. Então se iniciou a corrida atrás do controle remoto que era indispensável para dar vida ao televisor.
Busca aqui, caça ali, procura acolá e nada do controle aparecer e assim passaram-se ¼ de hora, até que Stella Lima, uma linda aluna da 2001, apresentou uma suposta solução dizendo: “Ei! Aqui na sala tem um menino que possui um celular que pode ser usado como controle remoto da televisão, deste modo podemos ligar a TV e usá-la!”. A estagiária animada logo respondeu: “Nossa Stella que boa ideia!”.
Nesse meio tempo, um tempo de aula já havia passado, pois é o tempo passa depressa e já era chegada hora do intervalo, então todos se encaminham para a área central da escola, entre conversas e briguinhas sem fundamento os 20 minutos de descanso se passaram e era chegada a hora de voltar à aula, que naquele momento era de geografia.

Mas, aí quando as estagiarias (já cansadas e sem esperança), foi então procurar o tal menino que se chamava Tiago Simeão, cadê o rapaz? Já era ouvido o som do sinal, simbolizando o fim do intervalo e nada do menino retornar. Cadê esse menino? Ele tá aonde? Gente, ele veio mesmo para a escola hoje? Essas são algumas das perguntas que saía da boca das estagiárias.
Sensibilizado com a procura do remoto controle, eis que se levanta o Pietro e pergunta: “Será que posso ir lá fora e procurar o Tiago?”, a resposta fora Sim, vai!
Eis que o Tiago é resgatado por Pietro, e então utiliza seu aparelho celular para a TV ligar. NOSSA! Naquele momento o celular parecia à salvação, a solução.
­Ufa! Logo pensaram as estagiarias, até que enfim conseguimos, mas ligar a TV não fora o suficiente para solucionar a questão.
Os alunos informaram que o uso da TV era proibido e se caso a pobre se danificasse a culpa não ia ser das estrelas, pois é ... a culpa ia ser das  estagiárias.

Nesse instante, os olhares das estagiárias se enchem de decepção. A busca pelo remoto controle havia se encerrado e a aula finalmente ia começar, não como se havia planejado, mas de forma diferente e cheia de obstáculos. Mas, no final, isso que de fato importa tudo deu certo, o controle já não estava, mas no remoto controle, o controle agora era delas.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

As aventuras de um licenciando


O final do ano de 2014 foi um tempo de momentos difíceis na escola de estágio. Pude presenciar uma situação que deveria ser fora do comum, fora do cotidiano de um professor. A princípio, poderíamos achar que se tratava de um caso isolado de uma escola pública, mas - ao dialogar com outros colegas professores - pude perceber que, ao menos, aquela situação foi básica e que outros colegas já tinham passado por coisas muito mais complicadas em escolas estaduais do Estado do Rio de Janeiro e, em especial, na Região Metropolitana.
No fim do 2° semestre, algo me chamou a atenção: após discutir na rua, um aluno foi ao dia de aula normalmente, só que de normal para mim aquele dia não teve nada. No período da tarde, fui surpreendido por uma confusão. Pessoas da comunidade entraram na escola e surraram um aluno que havia arrumado uma confusão.
Após o acontecimento, foi solicitado que a mãe do aluno fosse à escola para esclarecimento do fato ocorrido. Após alguns minutos de conversa, a diretora - que conversava com os responsáveis - foi surpreendida por um inspetor que veio às pressas avisar que os rapazes que tinham entrado na escola, estavam novamente presentes.  Só que, desta vez, eles estariam armados para "executar" o aluno. Assustados, a ação impensada ou talvez melhor e imediata a ser tomada, foi se fechar na sala da direção que era isolada por uma antessala e aguardar para que nada de mais acontecesse até a chegada das autoridades.
Foram momentos de pânico e tensão, uma vez que uma das portas já havia sido arrombada. Mediante aquela tensão, alguns questionamentos surgiram: O que fazer? Nunca fomos preparados para isso, e agora?

Alguns minutos se passaram e, não conseguindo entrar na sala e mediante a aproximação da polícia, os rapazes foram embora e a escola veio a se tornar caso de jornal.

Graças a Deus nada de pior aconteceu, mas a tensão - sem dúvidas - de aprendizado serviu.
Até que ponto isso se faz comum na vida de um professor?
Educar “somente” seria o papel do professor ou, mais que isso, devemos nos preparar e nos formar para vida e seus desafios?
Lecionar, sem dúvidas, é uma caixinha de surpresa! Um dia nunca será igual ao outro.

Gravidez na adolescência

   Ao Estagiar em uma turma do 9º ano, no ano de 2013, pude observar que uma menina de 14 e um menino de 16 anos estavam a namorar.
     Eles se encontravam no recreio (intervalo) e sempre uma amiga ficava a porta para vigiar, quando alguém aparecia no corredor ela avisava. Thiago e Cristina estavam apaixonados, ela tinha permissão da mãe para namorar, mas a diretora da escola não permitia namoro nas dependências da escola. Eles pareciam cada vez mais apaixonados, não percebiam que aquela paixão estava se tornando algo muito sério. Até que, um dia, Fabiana, a amiga, revelou para a professora que Cristina estava grávida. A moça não sabia o que fazer, pois mesmo com a permissão da mãe ela não estava preparada pra ser mãe. Pensava em fazer um aborto, mas com a ajuda da amiga e da professora, Cristina - mesmo sendo uma menina inexperiente - pode ter sua filha. Eles conseguiram terminar o ano letivo com muitas dificuldades, as notas não foram as melhores, mas sua filha nasceu com saúde e perfeita.

     A atitude da professora e da amiga foi perfeita, elas conseguiram com êxodo resolver toda a situação. Se não fosse a amiga e a professora, talvez ela tivesse feito o aborto e com certeza teria parado de estudar. O educador, além de educar, também é um psicólogo, amigo, conselheiro, companheiro, ajuda nos momentos de dor. O professor deve estar capacitado a lidar com esses tipos de situações.